Beyoncé, Anitta e Pitty, feminismo e outras coisas.

beyonce-world-war-ii-650Certo, achei que não precisaria me pronunciar a respeito disso, mas as vezes a gente se sente obrigada a dizer certas coisas só pra desabafar. E cá estou eu, aproveitando esse espaço pessoal pra cuspir algumas coisinhas entaladas no fundo da garganta.

Recentemente, um grande amigo me mostrou algumas músicas da Beyoncé. Já fui grande fã do seu trabalho, então as novas produções dela realmente me chamaram a atenção. Comecei a enxergar a artista com outros olhos. Ela agora é mãe, casada, continua sendo uma diva pop sem necessidades apelativas e etc e tal. Resumindo o papo todo, é como se a cantora que me agradou lá em ‘Run the World’ tivesse voltado. Inclusive, quero salientar que aquela música é incrível.

No meio da conversa, esse amigo me mostra um clipe gravado recentemente e eu confesso que ADOREI. Gente, Beyoncé sem maquiagem, numa casa, vestindo roupas que não são criadas por estilistas famosos, sem grandes produções e pompas que a gente vê por aí na industria musical do Pop. A más línguas dizem que o vídeo foi todo filmado e editado no IPhone dela.  7/11, o nome da música, começou a tocar e fui me envolvendo pela batida, pelas imagens e me senti como se tivesse na sala da casa de uma amiga, tomando Vodka e jogando ‘Quem Nunca’. Daí o vídeo acabou e eu resolvi ler os comentários.

Longo suspiro.

Quero antes de mais nada dizer que eu sempre me arrependo de ler os comentários. Valorizo SIM a liberdade de expressão, tanto que estou exercendo-a nesse exato momento. Mas me indigna ver que a ideologia que Beyoncé mais abomina (ela já se mostrou feminista convicta e sempre passa isso em suas músicas), estava bem ali, diante dos meus olhos. Nos comentários do vídeo dela. Frases como “Uma mulher como ela, mãe de uma menina, devia se dar ao respeito e não fazer um vídeo bêbada desse jeito!”, “Que absurdo, ela está encorajando o consumo de álcool.”, “Ela está se comparando a Miley Cyrus, quase nua nesse vídeo!”.

aff1

E DAÍ, MINHA GENTE? E DAAAAAAAAAAAAAÍ?

O que me desaponta, exatamente, é ver que machismo existe em todo lugar. É ver MENINAS/MULHERES repetindo esse discurso (não que seja culpa delas!), baseado numa ideologia que não deveria sequer ser considerada correta. Eu achei de uma hipocrisia tão grande, como se você não reunisse seus amigos em casa pra beber alguma coisa. Como se, se você é mãe, não tem o direito de se divertir. Me impressionou como um simples clipe causou tanta polêmica e também como o assunto feminismo – FINALMENTE! – estava sendo abertamente discutido.

Outro caso polêmico que caiu na rede foi o discurso da cantora Anitta, com relação ao comportamento sexual da mulheres.

“O fato do cara ficar com você, permanecer com você, isso aí é uma coisa que depende única e exclusivamente da mulher!”. Na minha concepção, isso envolve também a questão de que só depende da mulher fazer o casamento dar certo, que a culpa é da roupa que a mulher está usando se ela for assediada e única e exclusivamente dela se ela for estuprada. Não, darling! Eu não estou abusando da hipérbole!

 Se uma mulher quer andar de mini saia na rua, paquerar alguém na balada, gravar um clipe de moletom e calcinha, beber até cair… É o direito dela! Ela está APENAS exercendo o direito dela de existir, do mesmo jeito que você exerce o seu de opinar. Roubando as palavras da Pitty, “Quem tem que fazer o que você quer é você!”.

O que me irrita são pessoas, independente do gênero, taxando as feministas de chatas. É ver mulheres repetindo discursos machistas. É escutar amigas dizerem “tinha de ser mulher!” no trânsito.  É presenciar uma mãe arrancar um quebra cabeça da Barbie das mãos do filhO e hostilizá-lo: “Esse não que é de menina!”, é ouvir minha vizinha falar com a filha “mulher tem que saber lavar prato!” ou meu vizinho gritar para o filho  “engole o choro porque homem não chora!”.

Até quando isso vai durar, hein? Até quando?

https://www.youtube.com/watch?v=qN7qHlDcNhY Ps. Um salve pra Pitty que disse tudo o que eu queria ouvir no vídeo acima.

Author: Bruna Aureliano

Designer e criadora de conteúdo sobre estilo de vida consciente. Acredita que, para gerar transformações, é preciso compartilhar conhecimento. Vegetariana, adepta do minimalismo e canceriana com ascendente em aquário. Metade dela é sensibilidade e a outra é rebeldia.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

  • Infelizmente, a hipocrisia faz parte do nosso cotidiano e mesmo poucas de nós tentando combater esse mal, muitas mulheres reproduzem esse discurso machista e opressor. A luta feminista é diária, é longa e incansável. Vamos em frente.

    • Só não podemos desistir.
      Até os próprios homens não se dão conta de que o machismo também os afeta. Precisa ser uma luta em conjunto!