Confiança fundamental para a nossa luta

A rivalidade feminina é, por vezes, posta como um comportamento natural. Mesmo que, na realidade, seja algo culturalmente ensinado. Essa manipulação nos faz ser insensíveis ou até mesmo cruéis com outras mulheres e com nós mesmas. Por isso é importante desconstruir esses preconceitos. É fato que reverter padrões de comportamento que estão presentes há décadas leva tempo. Mas, podemos contar com uma boa iniciativa, a sororidade, experiência de empatia na qual tenta-se lidar da melhor forma com as diferenças em prol do mesmo objetivo: quebrar esse ciclo vicioso.

Não somos iguais, mas temos muito em comum. Dessa forma, ter um olhar mais consciente sobre a questão para descobrir as razões pelas quais vale a pena confiar em outra mulher é fundamental. Ao compreender o sistema de competição que criaram entre nós e como isso faz com que fiquemos nos comparando. Além do quanto questionamos nosso próprio potencial por sermos sempre subestimadas socialmente. Nota-se a importância de resistir e ir contra isso, pois, quanto menos nos criticarmos, mais investimos tempo nos nossos projetos.

Acreditar em si mesma não é um processo automático, mas é necessário. A autoconfiança é um trabalho diário e que requer muita aceitação. Sabemos que no decorrer de nossas vidas nos fazem considerar o medo uma fraqueza, mas não deveríamos pensar dessa maneira. Se sentir insegura para lidar com determinadas situações não significa que você tem menos valor. Assim como não conseguir alcançar “grandes atos” não quer dizer que você não se superou. A coragem de uma pessoa é equivalente ao tamanho do medo que ela venceu.

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Ilustração: Maia Faddoul

 A mulher operária

Seja operando máquinas ou em lares, o trabalho pesado sempre foi nosso. Mesmo antes da Revolução Feminista, mulheres negras, indígenas, trans e periféricas já trabalhavam em situações de escravidão e abuso. Entretanto, o dinheiro continua chegando nelas por último, ou nem chega. Assim, percebe-se que a busca pela equidade de gênero passa por muitos recortes socioculturais, os quais não podem ser ignorados.

Mesmo ocupando novos espaços no mercado de trabalho, antigas demandas ainda são tratadas como se fossem de exclusiva responsabilidade nossa. A perspectiva da mulher multitarefa é uma forma de romantizar essa sobrecarga. Em meio a isso, a sensação de insuficiência para cargos de liderança se faz presente, levando muitas a desistência na tentativa e na permanência. Somos mulheres exaustas, mas podemos encontrar apoio umas nas outras.

Em meio as cobranças sociais, costumamos criar obstáculos e empecilhos para com nossos objetivos por achar que não vamos conseguir. Porém, uma das coisas mais alimentadoras da autoestima é estar cercada de pessoas que acreditam em você e te apoiam. Visto que, aceitar, admitir e estar satisfeita com suas conquistas se torna mais fácil quando você se sente valorizada e reconhecida.

Mesmo assim, a rotina tende a ser sufocante, principalmente se você não possui grandes privilégios. Ter em mente que para ser levada a sério e evoluir no mercado de trabalho você tem que abdicar da sua vida pessoal é reproduzir o que foi feito pelos homens ao longo da história. Esse não é o melhor caminho, pois nos distanciando do afeto, ficamos mais sujeitas a não viver o momento presente.

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Ilustração: Abbey Lossing

 Afeto é um ato político

Sensibilidade para perceber se alguém quer desabafar ou se apenas precisa de um abraço depois de um dia exaustivo e ou de uma noite de incertezas. Algumas pessoas acham que não tem, mas, provavelmente, é apenas uma questão de se permitir. Demonstrações de afeto não deveriam ser motivo de receio ou timidez. Incentive o crescimento das outras mulheres ao seu redor. Exalte as qualidades de alguém com um elogio sincero. Devemos sempre respeitar e motivar as pessoas que admiramos.

Conviver com gente que te coloca para cima e te ajuda a enxergar o que você tem de melhor é maravilhoso. Mas, o ideal seria que nós conseguíssemos ver isso sozinhas. Por isso é essencial praticar o exercício de autoconhecimento, e nele você precisa verbalizar e expor suas vulnerabilidades, de preferência em um ambiente seguro. Pois muitas vezes não nos damos conta do quanto somos capazes e tendemos a achar que nunca somos boas o bastante.

Dar atenção e cuidado para a sua saúde mental melhora a qualidade de vida. Às vezes estamos frágeis e nem sempre somos produtivas. O que é super compreensivo, tendo em vista que, diariamente sofremos com vários estímulos negativos que nos fazem acreditar que somos inferiores. Não ser perfeita não significa que você não é responsável ou que não se importa. Quanto mais maturidade você adquire, mais estará preparada para enfrentar os desafios que surgirem.

Irmãs

A princípio, é essencial ajustarmos as expectativas. Muito se fala sobre a sororidade como algo repleto de companheirismo e apoio mútuo. Entretanto, “irmãs” também discordam e nem sempre se dão bem. Desse modo, significa que podemos sim discordar de outra mulher quando a mesma estiver errada. E que não somos obrigadas a nos darmos bem com todas elas. É importante lembrar que, temos várias personalidades e que gênero não define caráter.

As pessoas tendem a relacionar crítica com reprovação. No entanto, ela pode ser construtiva e ter como objetivo ajudar alguém. Mostrar as possíveis soluções para superar as disparidades é o caminho mais eficaz. Assumir responsabilidade pelos seus próprios atos pode não ser sempre tranquilo, mas ao conseguir assumir as falhas e trabalhar em cima delas você adquire maturidade.

Juntas somos mais fortes e precisamos umas das outras para conseguirmos que nossos direitos tão reivindicados sejam aplicados na prática. A união é importante para que esses preconceitos impregnados sejam desfeitos. O mundo começa a mudar por intermédio de pequenas atitudes.

Se recompensar pelas suas mais diversas conquistas, sejam elas grandes ou pequenas, é um estímulo para lembrar que a vida não se resume em metas e prazos. Isso é um ótimo combustível para manter a saúde mental em dia. Tentar levar a vida com um pouco mais de calma, já que estamos todos em um processo de adaptação.

Ilustração da capa: Marylou Faure

Author: Samara Rocha

Olá leitorxs! Meu nome é Samara Rocha. Sou publicitária em formação e, pasmem, prefiro chá ao invés de café. Tenho grande apreço pelo meu Nordeste, especialmente Sergipe, estado em que nasci e vivo até hoje. Me dedico a produzir conteúdos nos quais acredito, elucidando algumas questões à sociedade. Com isso, a única coisa esperada é que melhoremos enquanto espécie!

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