Os caras ainda não aprenderam a retratar mulheres no cinema

Pois é. Eu poderia liberar esse post só com o título e mais nada, porém é necessário explicar. Aprendi que quando a gente tem uma opinião construtiva, é preciso expor. Mas para que entendam essa opinião, é preciso fazê-la ser entendida. A minha opinião foi dada ali no título; os caras realmente ainda não sabem como representar mulheres nos filmes. E eu espero que eles não estejam tão longe de aprender porque olha… tá complicado de lidar. Nós, como mulheres, já não aguentamos mais os mesmos clichês.

Esses dias, fui assistir Liga da Justiça. Estava ansiosa porque o filme da Mulher Maravilha tinha me arrancado o fôlego e eu estava louca para rever a minha personagem favorita. O filme é bom em certos parâmetros que eu não me sinto capacitada a avaliar, afinal, eu nem sou tão fã assim de Comics. Mas de representações femininas eu entendo, viu? Principalmente depois de ver em Wonder Woman 1 como se deve retratar uma super heroína.

Wonder Woman foi digirido por Patty Jenkins, que deixou muito claro o seu desejo de que Diana pudesse ser vista como a guerreira que é. Que todas as amazonas pudessem ser vistas dessa maneira. Mulheres fortes. Independentes. Tendo uma comparação tão boa para as demais versões de Wonder Woman vividas por Gal Gadot, pude perceber o quanto os homens estão atrasados em representar mulheres no cinema.

Em Batman vs Superman (que no geral, é um filme bem ruim), as cenas de luta da Mulher Maravilha são marcadas por quedas da personagem com as pernas abertas e expressões extremamente sexualizadas. <Me explica quem diabos leva uma porrada e levanta com uma expressão dessas, minha santa Deusa?>

Em Liga da Justiça, dirigido por Zack Snyder, houveram cenas que me incomodaram muito. Como as diversas vezes que Gal Gadot foi filmada de baixo para cima. Onde a bunda da atriz aparece ~despretensiosamente~ em cenas que ela está de costas. Ainda, durante uma das cenas de batalha, Flash cai sobre os seios de Diana para alívio cômico do filme. A mosquinha da desconstrução não parava de zunir nos meus ouvidos.

Outra coisa que ficou muito clara pra mim foi o figurino das Amazonas, desenhado pelo Michael Wilkinson. É perceptível como há muito mais pele exposta na atual produção do que no filme Wonder Woman, cujo figurino foi assinado por Lindy Hemming (um mulherão da porra!). A gente até ouviu algumas explicações ~criativas~ para a nova versão do figurino e porque as amazonas estão de barriga de fora. Não engoli, viu.

Acho que os homens têm muito a aprender com o cinema produzido por mulheres. A questão é que estamos cansadas (pelo menos, eu estou!) das mesmas narrativas criadas para mulheres quando nossas histórias e vivências são muito mais complexas do que isso. Já estamos na portinha de 2018, chegou a hora de dar uma atualizada nas velhas narrativas. Quem está disposto a tentar?

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Author: Bruna Aureliano

Designer e criadora de conteúdo sobre estilo de vida consciente. Acredita que, para gerar transformações, é preciso compartilhar conhecimento. Vegetariana, adepta do minimalismo e canceriana com ascendente em aquário. Metade dela é sensibilidade e a outra é rebeldia.

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