Os impactos da indústria do algodão

Você sabe quais impactos da indústria do algodão? Quando se fala em roupas ecológicas ou sustentáveis, a gente sempre percebe um apelo muito grande em relação ao uso dessa fibra. Seu uso corresponde a 32% das fibras no geral em nível mundial, perdendo apenas para o poliéster (que corresponde a 45%). Em termos de fibra natural, ela é onipresente. Apesar dos problemas ambientais gerados  pelas fibras sintéticas, se engana quem pensa que o algodão não produz um impacto tão negativo quanto.

Para avaliar um impacto que a produção que uma fibra gera, são utilizados seis parâmetros: o uso de energia/emissões de gases do efeito estufa, usa da água, uso da química, relação com a biodiversidade e produção de resíduos sólidos. Inclusive, já falamos sobre isso aqui no blog.

+ +  + Leia também: 4 impactos da indústria têxtil

Uma das primeiras coisas que precisamos levar em consideração é o uso da água e de químicos. Para cultivar 250g de algodão – equivalente a 1 camiseta – é necessária a utilização de 2.700 litros de água. Isso sem contar na quantidade de agrotóxicos, agentes químicos e fertilizantes que são utilizados para manter uma plantação de algodão. Todo esse veneno contamina não só o solo, mas também os aquíferos próximos à plantação.

Cerca de 25% do uso de agrotóxicos são destinados a plantações de algodão. 

 

Os impactos da indústria do algodão

As plantações de algodão também apresentam problemas de trabalho infantil, exploração de mão de obra e desigualdade. O trabalhador dessas plantações, além de ficarem expostos ao grande número de pesticidas, são submetidos a cargas horárias excessivas e que ultrapassam 10 horas de trabalho, como você pode ver nesse caso.

No Brasil, 60% desses trabalhadores são informais, o que agrava a incidência do trabalho escravo.

 

Para minimizar esses impactos, já existem iniciativas globais para o algodão convencional. As iniciativas englobam diferentes maneiras de cultivar essa fibra têxtil.

Algodão BCI 

A Better Cotton Iniciative (BCI) é uma associação da indústria têxtil que tem como objetivo melhorar os impactos do cultivo do algodão a partir da formação de agricultores. Esses agricultores são informados sobre as melhores maneiras de produzir o algodão com a finalidade de reduzir o volume de agrotóxicos utilizados nas plantações e aplicá-los de maneira segura. Além disso, visa também melhorar as condições de trabalho e o uso eficiente da água.

Algodão ‘Made in Africa’ (CmiA)

É uma iniciativa da fundação Aid by Trade, desenvolvida em 2005 e que visa ajudar os pequenos agricultores africanos e suas famílias a melhorar seu meio de vida. Uma das exigências da CmiA é a rotação de cultivo, o que significa que o cultivo desse algodão é alternado com outros cultivos como a soja ou milho. Isso favorece o enriquecimento natural do solo e reduz o surgimento de pragas. Sabe qual é a melhor parte disso? Menos praga = menos agrotóxico e pesticidas.

Algodão reciclado

É fabricado a partir dos resíduos de algodão pré ou pós consumo. No primeiro caso, diz respeito à reciclagem de restos de fios ou tecidos. No segundo, o algodão é proveniente de roupas usadas e descartadas. Na prática, os resíduos pré consumo são a principal matéria prima do algodão reciclado, já que é difícil identificar as fibras de roupas usadas dada a mistura de materiais (por isso, não cortem as etiquetas de identificação das roupas!)

+ + + Leia também: Como fazer suas roupas durarem mais

Algodão orgânico

Para o cultivo do algodão orgânico, não são utilizados agrotóxicos e pesticidas – o que diminui os danos causados ao solo, ao ambiente e ao ser humano. No Brasil, a maior parte do cultivo de algodão orgânico se encontra no Nordeste – em especial, na Paraíba – e faz parte de negócios familiares. Tem muitas informações sobre o cultivo do algodão orgânico nesse link aqui.

 

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Author: Bruna Aureliano

Designer e criadora de conteúdo sobre estilo de vida consciente. Acredita que, para gerar transformações, é preciso compartilhar conhecimento. Vegetariana, adepta do minimalismo e canceriana com ascendente em aquário. Metade dela é sensibilidade e a outra é rebeldia.

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