Produtividade sem estrutura

Nos criaram para termos responsabilidades, e com isso, a gente espera conseguir aprovação, realização pessoal, ou qualquer que seja a recompensa. Mesmo estando inseridos em um sistema bastante despreparado e desigual. Entramos numa lógica de produção altamente exaustiva graças ao espírito de competitividade que não nos dá sossego. Por isso, gostaria de promover a reflexão; quais são os seus limites? 

Para mim, isso costumava soar como um absurdo, sempre gostei de me superar e ultrapassar os meus limites parecia ser algo digno de orgulho. Em contraponto, sentia que estava perdendo tempo quando parava de produzir para dar atenção a coisas básicas para minha sobrevivência, como o meu sono e a minha alimentação, o que é um total absurdo. Assim, fui percebendo que isso é um jogo sem fim e que nesse ritmo não vou conseguir passar por mais etapas pois vou estar esgotada. 

Passei a ressignificar os limites, percebi que não é questão de ausência de capacidade, mas sim, sobre saber que consigo, mas me tratar como prioridade. No entanto, falar sobre isso também se trata de privilégios. Muitas pessoas não tem escolha e estão presas a essa estrutura em que elas trabalham demais para ter o mínimo para sobreviver. De tão corriqueiro, esse movimento já é tratado como a norma. Nesse sentido, infelizmente, quem tenta sair disso é tratado como alguém que não está disposto a fazer o que for preciso para vencer na vida. 

Dessa forma, seguimos em busca de uma sensação de tarefa cumprida. Como resultado, o medo de não estar fazendo o suficiente se faz presente ao ponto de ser até paralisante às vezes. Nos sentimos culpados e frustrados por passar por isso, e isso sempre acontece, mas por que? Com certeza não é porque você é uma pessoa irresponsável ou incapaz. 

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Ilustração: Marcella Tamayo

A procrastinação é um sintoma

Afirmar que quem adia compromissos está com preguiça é opinar sobre a problemática de forma superficial. Se trata de algo mais complexo, um reflexo do seu humor, não simplesmente falta de habilidade de gerenciar o tempo produtivo. Coisas como a insegurança e a auto sabotagem geram angústia, nos fazendo evitar o confronto. Pois, é fruto da natureza humana priorizar o que estamos sentindo agora.

Com suposições e questões que existem apenas na nossa cabeça, sofremos muito mais na imaginação do que na realidade. Quem nunca deixou pra depois uma coisa por receio de não ir bem? Isso não é apenas coincidência. Nós procrastinamos porque estamos mal. Apesar disso, quando não cumprimos as nossas tarefas a sensação de culpa e vergonha em relação a produtividade dos outros ainda costuma nos atingir.

Para a pessoa que está procrastinando, isso resulta em uma sensação de impotência. Onde não tem como fingir que nada está acontecendo e manter a sanidade mental fica difícil. Em meio a uma preocupação constante de perder o foco, evita-se formas de distração para tentar se concentrar. Entretanto, o maior perigo não está no entretenimento como costumamos pensar, mas sim, nos sentimentos que estamos ignorando.

Tratados muitas vezes como bobagem, questões internas existem e afetam diretamente nosso desempenho. Não é justo culpar alguém por não encarar o que está sentindo, já que pensar sobre isso não é algo que nos foi ensinado. Por isso a gente acaba dando muita pouca importância para a nossa estafa mental. Contudo, providências devem ser tomadas para lidar com algo tão particular e profundo.

+ + + Leia também: Confiança fundamental para nossa luta

Tenhamos paciência 

Tenho notado em mim e nas pessoas ao meu redor uma tentativa desesperada de entorpecer os próprios sentidos, estes que nos dão percepção das coisas ao nosso redor. Intencionalmente ou não, buscamos por distrações, porque em um estado geral, olhar a realidade pode ser dura. O mundo encontra-se numa ansiedade generalizada. Tentar se manter bem em meio a isso é sem dúvidas um desafio.

Ademais, não somos menos fortes por isso, mas fugir não é a solução. Já tentei encarar situações como essa pesquisando por formas infalíveis de manter a melhor performance possível. No entanto, cansei de tentar esses métodos, agora estou indo pelo meu jeitinho e vendo como meu corpo reage. Naturalmente tropeçando, cometendo erros e tentando novamente. 

Na busca pela inteligência emocional, sempre que possível, estou fazendo coisas no meu tempo, buscando equilíbrio. Todos estamos passando por uma constante evolução, com desafios para lidar. Sobretudo, viver um momento de cada vez, tentando ter mais calma nas abordagens da vida cotidiana ajuda muito. Nesse sentido, a base do nosso comportamento é compreendida pelos processos, que por sua vez, são essenciais para desenvolver conquistas.

Ilustração da capa: Cota Alessandra

Author: Samara Rocha

Olá! Meu nome é Samara Rocha. Sou publicitária em formação e pasmem, prefiro chá ao invés de café. Tenho grande apreço pelo meu Nordeste, especialmente Sergipe, estado em que nasci e vivo até hoje. Me dedico a produzir conteúdos nos quais acredito, elucidando algumas questões à sociedade. Com isso, a única coisa esperada é que melhoremos enquanto espécie!

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