Somos feitas para o consumo?

A exposição de produtos é feita para cativar, conquistar, estimular os sentidos e até promover uma relação afetiva com o consumidor. Mercadorias não possuem opiniões nem direitos, são apenas peças sujeitas ao domínio do vendedor que têm suas identidades ofuscadas para criar ao público um distanciamento confortável entre a produção industrial e a comercial. Uma relação de poder que se estende e surge da mesma perspectiva: de que existe algo ou alguém que é superior, e quem ou o que estiver abaixo desse recorte é fadado ao abuso.

Aquele considerado inferior é usado e comercializado em prol daqueles que detém o capital ao qual sustenta esse sistema. Condicionada pela cultura, a sociedade retrata mulheres estereotipadas e hipersexualizadas na mídia. Ao posicionar mulheres em espaços que objetificam seus corpos, às restringem para serem tratadas apenas como mero instrumento de prazer, ignorando sua personalidade e dignidade. Isso demanda muito cuidado para não naturalizar esses comportamentos que transformam um ser humano em uma mercadoria ou objeto.

É notório que a indústria explora o corpo das fêmeas, sejam elas bípedes ou não. Ambas as problemáticas estão interligadas com os status sociais, pois para obter esses “bens de consumo” é necessário ter dinheiro. Quando a autonomia e as particularidades desses indivíduos são ignoradas, fica mais fácil romantizar a problemática e vender essa ideia. Tal apatia é ainda mais forte para os homens, que, por tempos, são levados a acreditar que o consumo de carne ratifica a sua virilidade e a fortalece.

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Ilustração: Camila Rosa

Feministas vegetarianas

No processo de empatia pela causa animal, a presença de mulheres é bem mais frequente. Já que, o feminismo é um ato político que possui o objetivo de empoderar o ser feminino e quebrar os padrões patriarcais. Assim como o vegetarianismo, que busca por liberdade e respeito aos demais animais. Por conseguinte, surge o ecofeminismo, o qual une a luta feminista com a ecologia, buscando uma vivência humana com mais consciência ambiental e menos exploração.

O abuso e o retalhamento das mulheres e das fêmeas de outras espécies são reais. Ao observar e relacionar a sexualização do corpo feminino com o consumo da carne, percebe-se que a cultura do estupro é frequente e mata. As mulheres vivenciam o que é comumente feito no cotidiano com os animais. Portanto, a desconstrução do caráter que oprime e violenta é urgente, uma vez que o machismo não mede esforços para naturalizar tais práticas.

A maior parte dos desmatamentos no mundo visam potencializar a criação de animais para consumo humano, o que compromete a sustentabilidade do planeta, impactando de forma direta o aquecimento global. É uma relação perigosa que se faz presente, o ser humano é um animal que vandaliza o próprio ecossistema em que habita. Por isso, os impactos ambientais do uso de animais para alimentação afetam a vida na terra.

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Ilustração: Maria-Ines Gul

Sociedade especista

Trata-se da discriminação arbitrária daqueles que não são de uma determinada espécie. Ou seja, as vontades que são o convenientes para os humanos se sobressaem em detrimento da integridade dos animais não-humanos. Confinar, explorar e matar animais, uma vez que os consideram seres inferiores, não lhes conferindo qualquer tipo de direitos.

Existe uma atribuição de tratamentos diferentes aos seres, muitas vezes é a cultura que encarrega-se de ditar quais os animais que vão ser domesticados, maltratados e os que devem permanecer na natureza. O humano é um animal, possui interesses e necessidades próprias. Estas ocorrem independentemente da espécie, entretanto o humano mostra-se indiferente para com os outros animais.

Tal diferenciação é fortemente prejudicial para todos os animais. Pois, possuem a capacidade de sofrer e de criar laços afetivos assim como os humanos. O conceito de que algumas espécies de animais devem morrer para serem consumidas de forma alegre e festiva deve ser renunciada. A falta de empatia não gera o direito de abusar e explorar terceiros.

+ + + Leia também: O que é consumo consciente?

A demagogia é apelativa

Com um discurso linear que substitui o pensamento contraditório dialético, manipula a maioria pelo uso de aparentes argumentos de senso comum. Com fito de obter vantagem, utiliza táticas de condução em vez de argumentos racionais para atingir determinado propósito. O que costuma funcionar, já que é sempre mais difícil entender como funciona o uso dos sistemas orgânicos geral, e nas causas e consequências de médio e longo prazo.

Nessa cultura sexista, especista e belicosa vemos a intrínseca conexão do patriarcado com o consumo de proteína animalizada. O humano é uma espécie destrutiva e declaradamente egoísta. Por consequência, se estabelece uma sociedade que presume ser moralmente aceito matar animais a partir de preceitos de conduta equivocados.

A ótica que norteia o princípio ético de que o ser humano viva sem crueldade, não é um norte com fim em si mesmo, visto que é um movimento antagônico a uma sociedade que foi criada e erguida sobre forte exploração. Logo, por mais que seja difícil ou até impossível extinguir completamente os produtos de origem animal, raciocinar sobre a questão é preciso e por mais complicado que seja, nada justifica a inação.

Ilustração da capa: Ashley Seil Smith

Author: Samara Rocha

Olá leitorxs! Meu nome é Samara Rocha. Sou publicitária em formação e, pasmem, prefiro chá ao invés de café. Tenho grande apreço pelo meu Nordeste, especialmente Sergipe, estado em que nasci e vivo até hoje. Me dedico a produzir conteúdos nos quais acredito, elucidando algumas questões à sociedade. Com isso, a única coisa esperada é que melhoremos enquanto espécie!

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